Antes de Ipiaú
Muito antes da formação do município, a região era coberta por grandes áreas de mata e habitada por povos indígenas identificados nos registros históricos como Tapuias.
Não há consenso sobre quando ocorreram as primeiras incursões não indígenas pelo território. Registros históricos admitem que a região possa ter servido de passagem para expedições que seguiam em direção ao alto sertão.
A ocupação que daria origem aos núcleos urbanos da região começou a ganhar força nas primeiras décadas do século XX, acompanhada pela abertura de caminhos e pelo avanço da agricultura.
De Rapa-tição a Alfredo Martins
Um dos nomes mais curiosos ligados às origens de Ipiaú é Rapa-tição — ou Rapatição.
Existem diferentes versões para a origem dessa denominação. Uma delas relaciona o nome a conflitos nos quais pedaços de madeira em brasa — os chamados tições — teriam sido utilizados. Outra interpretação associa o termo à ideia de confusão ou desordem.
Como ocorre com muitas histórias transmitidas entre gerações, existem diferentes versões sobre a origem exata do nome.
O primeiro nome oficialmente estabelecido para o núcleo foi Alfredo Martins.
Em 1916, o povoado foi elevado à condição de distrito, ainda pertencente ao município de Camamu.
Era apenas o começo de uma grande transformação.
O cacau ajudou a transformar a região
Um elemento foi fundamental para o crescimento de Ipiaú e das localidades vizinhas: o cacau.
A fertilidade das terras favoreceu a expansão da lavoura cacaueira e atraiu novos moradores.
Vieram pessoas de diferentes partes da Bahia. Pelo norte, chegaram habitantes das regiões de Jequié e da então Nossa Senhora da Conquista. Pelo sul, o avanço ocorreu também a partir da região de Ilhéus, seguindo o Rio de Contas em busca de novas terras para o cultivo. Outros povoadores chegaram das regiões de Camamu e Santarém.
Com mais gente chegando, novas propriedades foram abertas, o comércio cresceu e os caminhos começaram a conectar o povoado a outras localidades.
O cacau, portanto, não representou apenas uma atividade agrícola: tornou-se parte fundamental da formação econômica e social de Ipiaú.
Alfredo Martins passa a se chamar Rio Novo
O crescimento da localidade aumentou também o desejo por maior autonomia administrativa.
Os primeiros movimentos em favor da emancipação são registrados a partir da década de 1920, período em que o distrito já demonstrava prosperidade.
Em 1930, Alfredo Martins foi elevado à categoria de subprefeitura e recebeu um novo nome:
Rio Novo
No ano seguinte, em 1931, Rio Novo deixou de pertencer administrativamente a Camamu e passou para o município de Jequié.
Mas essa situação também duraria pouco.
1933: nasce o município
O grande momento chegou em 7 de dezembro de 1933.
Por meio do Decreto Estadual nº 8.725, Rio Novo foi elevado à categoria de município, desmembrando-se de Jequié.
A instalação oficial ocorreu em 17 de dezembro de 1933.
Começava, assim, uma nova etapa de sua história política e administrativa.
Curiosamente, entretanto, o município que acabava de conquistar sua autonomia ainda não se chamava oficialmente Ipiaú.
De Rio Novo para Ipiaú
A mudança definitiva de nome ocorreu na década de 1940.
O antigo município de Rio Novo passou a se chamar Ipiaú.
O nome Ipiaú tem origem tupi e significa “rio novo”, preservando, portanto, o significado da denominação anterior.
Era um novo nome para uma cidade que continuava crescendo.
Ipiaú já foi territorialmente muito maior
Outro fato que muitos moradores talvez não saibam é que o território de Ipiaú já englobou áreas que hoje constituem outros municípios.
Ao longo das décadas seguintes ocorreram novos desmembramentos.
Ubatã tornou-se município em 1952.
Ibirataia conquistou sua emancipação em 1960.
Barra do Rocha tornou-se município em 1961.
Essas mudanças ajudaram a formar o mapa político da região como conhecemos atualmente.
O Rio de Contas e a identidade de Ipiaú
É difícil contar a história de Ipiaú sem falar do Rio de Contas.
O rio acompanhou o crescimento da cidade, serviu como referência para deslocamentos e ocupação territorial e permanece como um dos elementos naturais mais marcantes da paisagem ipiauense.
Da mesma forma, a história da cidade está intimamente ligada à Mata Atlântica, à agricultura e à expansão da cultura cacaueira.
Uma cidade construída por muitas gerações
A Ipiaú de hoje nasceu do trabalho de muitas pessoas.
Agricultores, comerciantes, trabalhadores, famílias pioneiras e milhares de moradores que chegaram ao longo das décadas ajudaram a transformar um pequeno núcleo cercado por mata em uma cidade que se tornou referência comercial e de serviços para municípios vizinhos.
As antigas estradas deram lugar a ruas e avenidas. O pequeno comércio se expandiu. Surgiram escolas, hospitais, empresas, bairros, espaços públicos e novos serviços.
Mas algumas marcas daquele passado continuam presentes na memória, nas famílias, nas construções, nas fotografias antigas e nas histórias contadas de geração em geração.
Uma história que precisa ser preservada
Conhecer a história de Ipiaú é mais do que recordar datas.
É compreender de onde vieram os nomes das nossas ruas, reconhecer a importância dos pioneiros, entender a influência do cacau e do Rio de Contas e preservar as lembranças de homens e mulheres que ajudaram a construir nossa cidade.
Cada fotografia antiga, documento, relato familiar e lembrança de um morador mais velho pode guardar uma pequena parte dessa história.
Por isso, o Guia Ipiaú quer também ser um espaço de valorização da memória da nossa terra.
Você tem fotos antigas de Ipiaú?
Se você possui fotografias antigas da cidade, documentos históricos ou conhece histórias que merecem ser preservadas, entre em contato com o Guia Ipiaú.
Queremos continuar contando a história da nossa cidade através de quem ajudou — e continua ajudando — a construí-la.
Guia Ipiaú
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Fontes históricas consultadas: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Câmara Municipal de Ipiaú; registros históricos e administrativos sobre a formação do município.