A primavera se aproxima e, com ela, o Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro. Com esse prenúncio, entendemos que é momento de direcionar o nosso foco para uma das mais veneradas árvores da zona urbana desta região: o tamarineiro do Japomirim. Ele é quase centenário e constitui uma das referências da vila, pertencente ao município de Itagibá.
Sob a sua densa copa, deliberaram-se ações, contaram-se histórias, consolidaram-se namoros, promessas, brincadeiras, sonhos… A história se desenvolvendo. Meninos afoitos trepavam em seus galhos, iam até o alto em busca dos frutos de um azedo tão doce que só quem viveu ali pode definir.
À sombra do velho tamarineiro, negociavam-se animais, descansavam os viajantes e respeitáveis senhoras batiam papo nas tardes de verão. Tornou-se um ponto de encontro, um valioso patrimônio à margem do Rio das Contas. Jamais alguém ousou derrubá-lo. Se, por desventura, isso acontecesse, a paisagem ficaria desfalcada de uma de suas grandes preciosidades.
Localizado próximo ao Restaurante Charlie Chaplin, no centro da Rua Castro Alves, “o pé de tamarino”, como muitos lhe chamam, foi plantado por um cidadão de nome Nelson dos Santos, quando este tinha apenas cinco anos de idade. A semente da árvore foi trazida de outro município por seu pai, Antero Waldomiro, então delegado de Polícia de Japomirim.
Outros antigos habitantes da vila, a exemplo de Alípio Rocha Passos, Valdivino Panelli, Damião Macena, Gabriel Moreira, José Bento e Anísio Tibúrcio, com seus respectivos familiares, dedicaram zelo à planta, que cresceu adubada pelo carinho das gerações seguintes. E assim prossegue.
A professora Lúcia Silva Santos Passos (Lucinha), filha do homem que plantou o tamarineiro, defende que a histórica árvore seja adotada oficialmente como símbolo do distrito. Nada mais justo e oportuno nesta temporada em que o município de Itagibá celebra 68 anos de sua emancipação política. *Por José Américo Castro